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Ecografia das 12 semanas: o que avalia e como ler o resultado

Entre as 11 e as 14 semanas de gravidez faz-se um dos exames mais aguardados, e também um dos que mais dúvidas levanta: a ecografia do 1.º trimestre, com o rastreio combinado. Muitas vezes, o resultado chega como uma fração, do tipo «1 em 1500», e é difícil perceber o que significa.

Este artigo explica o que é avaliado nesse momento, o que é a translucência nucal, como se calcula o risco e, sobretudo, como interpretar o resultado e o que acontece a seguir em cada cenário.

O exame

O que é o rastreio combinado do 1.º trimestre

O rastreio combinado junta três tipos de informação num único cálculo de risco para as trissomias mais frequentes, as trissomias 21 (síndrome de Down), 18 e 13:

01

A ecografia

Translucência nucal

Mede-se a espessura de uma pequena camada de líquido na nuca do bebé, entre outros parâmetros avaliados na ecografia do 1.º trimestre.

02

A análise ao sangue

Bioquímica materna

Doseiam-se duas substâncias produzidas pela placenta, a PAPP-A e a fração livre da beta-hCG, através de análises clínicas feitas habitualmente entre as 9 e as 13 semanas.

03

Os dados da grávida

Risco de base

Idade, peso, tempo exato de gravidez, gravidezes anteriores e outros fatores entram no cálculo e ajustam o risco final.

A ideia mais importante do artigo

O rastreio não diagnostica. Estima uma probabilidade. Um resultado de baixo risco não garante que o bebé não tem uma alteração, e um resultado de alto risco não significa que a tenha.

Serve para decidir quem beneficia de exames adicionais.

Na ecografia

O que é avaliado, para além da nuca

A translucência nucal é o parâmetro mais conhecido, mas a ecografia do 1.º trimestre avalia muito mais:

  • ✓
    Vitalidade: confirmação dos batimentos cardíacos
  • ✓
    Datação da gravidez, a partir do comprimento do bebé, que passa a ser a referência para a data provável do parto
  • ✓
    Número de bebés e, nas gravidezes gemelares, se partilham ou não a placenta, uma informação que muda a vigilância
  • ✓
    Translucência nucal, medida com critérios rigorosos
  • ✓
    Anatomia inicial: crânio, cérebro, parede abdominal, membros, estômago e bexiga, entre outros
  • ✓
    Em alguns casos, marcadores adicionais, como o osso nasal ou o fluxo em determinados vasos, e o Doppler das artérias uterinas, que pode integrar o rastreio de pré-eclâmpsia

O exame é habitualmente feito por via abdominal e dura cerca de 20 a 40 minutos. Por vezes é necessária uma via vaginal para obter melhores imagens. Não usa radiação.

Quando fazer: das 11 às 13 semanas e 6 dias

A ecografia tem de ser feita numa janela de tempo curta, quando o bebé mede, do topo da cabeça às nádegas, entre cerca de 45 e 84 milímetros. Antes ou depois disso, a medição da translucência nucal deixa de ser fiável para o cálculo.

Por isso, a data é marcada em função do tempo de gravidez. Se já fez uma ecografia obstétrica precoce, essa medição ajuda a datar a gravidez e a escolher o melhor dia.

Um resultado de risco aumentado não é um diagnóstico. É o sinal de que vale a pena olhar com mais atenção.

O resultado

Como ler o «1 em X»

O risco é apresentado como uma probabilidade. Um resultado de «1 em 2000» significa que, entre 2000 grávidas com o mesmo resultado, se espera que apenas uma tenha um bebé com a trissomia em causa. Quanto maior o número a seguir ao «1 em», menor o risco.

Com base nesse valor, o resultado é habitualmente classificado em três grupos. Os limites exatos variam com o protocolo usado, e é o médico que explica a que grupo pertence o seu caso.

01

Baixo risco

O cenário mais frequente

A vigilância segue o plano habitual. A próxima ecografia importante é a ecografia morfológica do 2.º trimestre, entre as 20 e as 22 semanas.

02

Risco intermédio

Afinar o cálculo

Pode ser proposto um teste de DNA fetal no sangue materno, que tem uma capacidade de deteção muito superior à do rastreio combinado e não tem qualquer risco para a gravidez.

03

Alto risco

Conversar e decidir

São discutidas as opções: o teste de DNA fetal ou um teste diagnóstico, a biópsia das vilosidades coriónicas ou a amniocentese, que confirmam ou excluem a alteração mas têm um pequeno risco associado.

E se a translucência nucal estiver aumentada?

Uma translucência nucal claramente aumentada, acima de cerca de 3,5 mm, justifica avaliação adicional, independentemente do risco calculado. Além das alterações cromossómicas, pode associar-se a alterações cardíacas, por isso costuma ser recomendada uma ecocardiografia fetal mais tarde.

Na maioria dos bebés com translucência aumentada e estudo complementar normal, a gravidez decorre sem problemas.

Rastreio ou DNA fetal?

Qual a diferença entre os testes

São muitas vezes confundidos, mas têm papéis diferentes:

  • ✓
    Rastreio combinado: ecografia mais análise. Estima o risco e avalia também a anatomia, a datação e o número de bebés. É a base da vigilância do 1.º trimestre.
  • ✓
    Teste de DNA fetal no sangue materno: analisa fragmentos de DNA da placenta presentes no sangue da mãe. Deteta as principais trissomias com grande precisão, mas continua a ser um teste de rastreio e não substitui a ecografia.
  • ✓
    Biópsia das vilosidades coriónicas e amniocentese: testes diagnósticos, invasivos, que analisam diretamente o material genético. Confirmam ou excluem a alteração.
Sinais de alarme

Quando não esperar pela ecografia

O 1.º trimestre traz muitos sintomas normais, como náuseas, cansaço ou um ligeiro desconforto abdominal. Alguns sinais, no entanto, justificam avaliação no próprio dia.

Procure a urgência obstétrica se surgir

  • !
    Hemorragia vaginal abundante, com coágulos, ou semelhante a uma menstruação
  • !
    Dor abdominal intensa, sobretudo se for de um só lado
  • !
    Tonturas, desmaio ou dor no ombro associada a dor abdominal
  • !
    Febre
  • !
    Vómitos que não permitem manter líquidos durante um dia inteiro
Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre o rastreio do 1.º trimestre

O rastreio é obrigatório?

Não. É recomendado a todas as grávidas, mas a decisão de o fazer é sempre da grávida, depois de informada. A ecografia do 1.º trimestre, mesmo sem o cálculo de risco, tem informação essencial para o resto da gravidez.

Preciso de estar em jejum ou de bexiga cheia?

Não é necessário jejum. Indicações sobre a bexiga podem variar, e são dadas na marcação. A análise ao sangue também não exige jejum, na maioria dos laboratórios.

Já é possível saber o sexo do bebé?

Na ecografia das 12 semanas, a observação do sexo ainda não é fiável. O teste de DNA fetal permite sabê-lo com segurança, se a grávida o desejar.

Um resultado de baixo risco dispensa a ecografia morfológica?

Não. A ecografia do 2.º trimestre avalia a anatomia do bebé com muito mais detalhe e deteta alterações que não estão relacionadas com as trissomias.

Posso fazer a ecografia numa clínica e o acompanhamento noutra?

Sim. O relatório da ecografia e o resultado do rastreio seguem consigo e devem ser levados às consultas seguintes, onde quer que seja seguida.

Em resumo

Uma probabilidade, não uma sentença

O rastreio do 1.º trimestre combina ecografia, análise ao sangue e dados da grávida para estimar o risco das principais trissomias. Na grande maioria das gravidezes o resultado é de baixo risco e a vigilância segue o seu curso normal.

Quando o risco é mais alto, existem hoje testes muito precisos para esclarecer a dúvida. Em qualquer cenário, a conversa com o médico sobre o significado do resultado é tão importante como o número em si.

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Texto informativo. Não substitui avaliação médica individual. Os limites de risco e as opções de seguimento são sempre discutidos com o médico que acompanha a gravidez.