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Má circulação nas pernas: quando consultar um cirurgião vascular

CIRURGIA VASCULAR

Pernas pesadas ao fim do dia, tornozelos inchados, uma dor na barriga da perna que aparece a caminhar e passa quando pára. São queixas tão comuns que quase toda a gente as atribui ao cansaço, à idade ou ao tempo passado de pé.

Na maior parte das vezes é mesmo isso. Mas algumas destas queixas são a primeira manifestação de um problema circulatório, e há uma diferença importante entre um sintoma que incomoda e um sintoma que avisa.

Este artigo ajuda a distinguir os dois: que sinais merecem uma consulta, quais exigem ida imediata ao hospital, o que acontece numa avaliação vascular e o que pode fazer para proteger a circulação.

Os tipos

O que são, afinal, as doenças circulatórias

As doenças circulatórias afetam os vasos que transportam o sangue pelo corpo. Não são todas iguais e, sobretudo, não se sentem da mesma maneira. O que se nota é a melhor pista sobre o que se passa.

01

Insuficiência venosa crónica e varizes

Sistema venoso

O sangue tem dificuldade em subir de volta ao coração. Dá peso, cansaço e inchaço que agravam ao longo do dia e melhoram com a perna elevada. É a causa mais frequente de queixas nas pernas.

02

Doença arterial periférica (DAP)

Sistema arterial

As artérias estreitam e chega menos sangue aos músculos. O sinal clássico é dor ao caminhar uma certa distância, que obriga a parar e alivia em repouso: chama-se claudicação intermitente. Ao contrário das varizes, agrava com o esforço, não com o tempo de pé.

03

Trombose venosa profunda (TVP)

Urgente

Um coágulo numa veia profunda, geralmente da perna. Ao contrário das anteriores, instala-se em horas ou dias e afeta quase sempre só uma perna. Não é uma situação para marcar consulta: é para avaliar no próprio dia.

Uma distinção útil

Queixas que pioram ao fim do dia e aliviam com a perna no ar apontam para o lado venoso. Queixas que aparecem a andar e passam ao parar apontam para o lado arterial.

São problemas diferentes, com avaliações e tratamentos diferentes.

Sinais

Sinais que merecem uma avaliação vascular

Marque uma consulta de cirurgia vascular se reconhecer alguma destas situações:

  • ✓
    Dor persistente ou sensação de peso nas pernas, sobretudo ao fim do dia
  • ✓
    Pernas ou tornozelos inchados, com a marca da meia a ficar marcada
  • ✓
    Varizes visíveis ou derrames (as pequenas veias em teia de aranha)
  • ✓
    Dor nas pernas ao caminhar que obriga a parar e alivia em repouso
  • ✓
    Pés frios, pálidos ou com menos sensibilidade do que o habitual
  • ✓
    Feridas nas pernas ou nos pés que demoram a cicatrizar
  • ✓
    Alterações da cor da pele nos tornozelos, mais escura ou endurecida
  • ✓
    Antecedentes familiares de varizes, trombose ou doença arterial
Feridas no pé e diabetes

Uma ferida num pé que não cicatriza merece nota à parte. Em pessoas com diabetes, é dos motivos mais importantes para não esperar.

A combinação de menos sensibilidade com menos circulação faz com que uma lesão pequena passe despercebida e evolua sem dor.

Sinais de alarme

Sinais que não são para consulta, são para urgência

Há um pequeno grupo de situações em que o tempo conta. Nestes casos não se marca consulta: vai-se ao serviço de urgência.

Procure o serviço de urgência se surgir

  • !
    Inchaço súbito de uma só perna, com dor na barriga da perna, calor e vermelhidão
  • !
    Dor intensa na perna em repouso, sobretudo à noite, que melhora ao pendurar a perna fora da cama
  • !
    Uma perna ou um pé subitamente frio, pálido, dormente ou sem força
  • !
    Ferida ou dedo do pé que escurece
  • !
    Hemorragia a partir de uma variz
Ligue 112

Se a estas queixas se juntar falta de ar súbita, dor no peito ao respirar fundo ou tosse com sangue, ligue de imediato para o 112. Pode corresponder a um coágulo que migrou para o pulmão, uma embolia pulmonar, que é uma emergência médica.

A maioria das doenças circulatórias avança devagar e em silêncio. É possível sentir-se perfeitamente bem enquanto as paredes das veias enfraquecem ou as artérias estreitam.

Prevenção

Porque é que detetar cedo muda tudo

Nas fases iniciais, uma alteração circulatória trata-se com medidas simples: vigilância, meias de compressão, correção de fatores de risco, por vezes um procedimento pequeno. Nas fases avançadas, as opções são mais limitadas, mais invasivas e com recuperação mais longa.

Um ponto que passa despercebido

A doença arterial periférica raramente existe sozinha: as mesmas alterações que estreitam as artérias das pernas costumam estar presentes nas artérias do coração e do cérebro.

Detetar DAP nas pernas é, muitas vezes, a primeira oportunidade de agir sobre um risco cardiovascular mais amplo.

A consulta

O que acontece numa consulta de cirurgia vascular

É uma consulta simples, sem preparação especial e sem necessidade de estar em jejum. Na prática, tem três partes.

01

A conversa

Quando começaram as queixas, o que as agrava e o que as alivia, antecedentes pessoais e familiares, medicação, gravidezes anteriores, tipo de trabalho. Esta parte orienta tudo o resto.

02

O exame

Observação das pernas de pé e deitado, palpação dos pulsos nos pés e avaliação da pele. Pode incluir a medição do índice tornozelo-braço, que compara a tensão arterial no tornozelo com a do braço. É rápido, indolor e dá uma boa indicação sobre a circulação arterial.

03

A ecografia com Doppler, quando indicada

É o exame de referência em vascular: mostra o sentido e a velocidade do fluxo sanguíneo, identifica refluxo nas veias, deteta obstruções e confirma ou exclui trombose. Não usa radiação e não é doloroso.

No final

Define-se um plano, que pode ser apenas vigilância e medidas conservadoras. Consultar um cirurgião vascular não significa que vai ser operado. Significa saber em que ponto está.

Fatores de risco

Quem deve ter uma vigilância mais atenta

Algumas situações aumentam o risco e justificam avaliação mesmo sem sintomas marcados:

  • ✓
    Diabetes, pelo risco combinado de doença arterial e de lesões nos pés
  • ✓
    Tabagismo, o fator de risco mais determinante na doença arterial periférica
  • ✓
    Hipertensão e colesterol elevado
  • ✓
    Antecedentes familiares de varizes, trombose ou doença arterial
  • ✓
    Profissões com muitas horas de pé ou sentado sem pausas
  • ✓
    Gravidez e pós-parto, pelo efeito hormonal e pela pressão sobre as veias pélvicas
  • ✓
    Excesso de peso e sedentarismo
  • ✓
    Trombose anterior, pessoal ou familiar
Hábitos que protegem a circulação

Ande. Caminhar ativa a bomba muscular da barriga da perna, que empurra o sangue venoso para cima. Na doença arterial, caminhar de forma regular melhora comprovadamente a distância percorrida sem dor.

Interrompa o tempo parado. Se trabalha de pé ou sentado, mexa os pés e levante-se de poucas em poucas horas. Em viagens longas, hidrate-se e caminhe pelo corredor.

Eleve as pernas ao fim do dia, acima do nível do coração, durante 15 a 20 minutos.

Use a compressão que lhe for indicada. As meias de compressão têm classes diferentes e não devem ser escolhidas ao balcão sem avaliação prévia, sobretudo se houver suspeita de doença arterial.

Deixe de fumar. É a medida isolada com maior impacto na saúde arterial.

Cuide dos pés. Inspecione-os regularmente, hidrate a pele e trate qualquer ferida precocemente, sobretudo se tem diabetes.

Nenhuma destas medidas substitui a avaliação médica, mas todas fazem diferença real.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre circulação e consulta vascular

Varizes são só um problema estético?

Nem sempre. Muitas varizes são de facto apenas visíveis e não dão sintomas. Outras acompanham insuficiência venosa com peso, inchaço, alterações da pele no tornozelo e, em fases avançadas, úlceras. A avaliação com Doppler é o que distingue os dois cenários.

Preciso de encaminhamento médico para uma consulta vascular?

Não. Pode marcar diretamente uma consulta de cirurgia vascular. Se tiver relatórios ou exames anteriores, leve-os consigo.

Com que frequência devo fazer avaliação?

Não existe um intervalo único para toda a gente. Sem sintomas e sem fatores de risco, não há indicação para rastreio sistemático. Com fatores de risco ou queixas, o intervalo é definido caso a caso pelo especialista.

A ecografia com Doppler dói ou tem radiação?

Não tem radiação e não dói. Faz-se com uma sonda sobre a pele, com gel, e demora habitualmente entre 20 e 40 minutos consoante o território avaliado.

Em resumo

O papel do cirurgião vascular começa antes da cirurgia

Pernas pesadas e inchadas ao fim do dia são frequentes e quase sempre de causa venosa. Dor ao caminhar que passa em repouso aponta para o lado arterial e merece avaliação sem demora. Inchaço súbito de uma só perna é para ver no próprio dia.

O papel do cirurgião vascular começa muito antes da cirurgia: identificar o problema cedo, quantificá-lo com os exames certos e decidir, com o doente, o que fazer, que em muitos casos não é operar.

Consulta de cirurgia vascular em Lisboa

Se se reconheceu em algum destes sinais, marque uma avaliação na Aeger Prima, junto à Avenida da Liberdade. Saiba mais sobre a consulta de cirurgia vascular.

Rua Mãe de Água 15 B, 1250-154 Lisboa · Segunda a sexta, 9h00 — 19h00

Texto informativo. Não substitui avaliação médica individual. Perante sintomas de início súbito, procure o serviço de urgência.