Pernas pesadas ao fim do dia, tornozelos inchados, uma dor na barriga da perna que aparece a caminhar e passa quando pára. São queixas tão comuns que quase toda a gente as atribui ao cansaço, à idade ou ao tempo passado de pé.
Na maior parte das vezes é mesmo isso. Mas algumas destas queixas são a primeira manifestação de um problema circulatório, e há uma diferença importante entre um sintoma que incomoda e um sintoma que avisa.
Este artigo ajuda a distinguir os dois: que sinais merecem uma consulta, quais exigem ida imediata ao hospital, o que acontece numa avaliação vascular e o que pode fazer para proteger a circulação.
O que são, afinal, as doenças circulatórias
As doenças circulatórias afetam os vasos que transportam o sangue pelo corpo. Não são todas iguais e, sobretudo, não se sentem da mesma maneira. O que se nota é a melhor pista sobre o que se passa.
Insuficiência venosa crónica e varizes
Sistema venosoO sangue tem dificuldade em subir de volta ao coração. Dá peso, cansaço e inchaço que agravam ao longo do dia e melhoram com a perna elevada. É a causa mais frequente de queixas nas pernas.
Doença arterial periférica (DAP)
Sistema arterialAs artérias estreitam e chega menos sangue aos músculos. O sinal clássico é dor ao caminhar uma certa distância, que obriga a parar e alivia em repouso: chama-se claudicação intermitente. Ao contrário das varizes, agrava com o esforço, não com o tempo de pé.
Trombose venosa profunda (TVP)
UrgenteUm coágulo numa veia profunda, geralmente da perna. Ao contrário das anteriores, instala-se em horas ou dias e afeta quase sempre só uma perna. Não é uma situação para marcar consulta: é para avaliar no próprio dia.
Queixas que pioram ao fim do dia e aliviam com a perna no ar apontam para o lado venoso. Queixas que aparecem a andar e passam ao parar apontam para o lado arterial.
São problemas diferentes, com avaliações e tratamentos diferentes.
Sinais que merecem uma avaliação vascular
Marque uma consulta de cirurgia vascular se reconhecer alguma destas situações:
- ✓Dor persistente ou sensação de peso nas pernas, sobretudo ao fim do dia
- ✓Pernas ou tornozelos inchados, com a marca da meia a ficar marcada
- ✓Varizes visíveis ou derrames (as pequenas veias em teia de aranha)
- ✓Dor nas pernas ao caminhar que obriga a parar e alivia em repouso
- ✓Pés frios, pálidos ou com menos sensibilidade do que o habitual
- ✓Feridas nas pernas ou nos pés que demoram a cicatrizar
- ✓Alterações da cor da pele nos tornozelos, mais escura ou endurecida
- ✓Antecedentes familiares de varizes, trombose ou doença arterial
Uma ferida num pé que não cicatriza merece nota à parte. Em pessoas com diabetes, é dos motivos mais importantes para não esperar.
A combinação de menos sensibilidade com menos circulação faz com que uma lesão pequena passe despercebida e evolua sem dor.
Sinais que não são para consulta, são para urgência
Há um pequeno grupo de situações em que o tempo conta. Nestes casos não se marca consulta: vai-se ao serviço de urgência.
Procure o serviço de urgência se surgir
- !Inchaço súbito de uma só perna, com dor na barriga da perna, calor e vermelhidão
- !Dor intensa na perna em repouso, sobretudo à noite, que melhora ao pendurar a perna fora da cama
- !Uma perna ou um pé subitamente frio, pálido, dormente ou sem força
- !Ferida ou dedo do pé que escurece
- !Hemorragia a partir de uma variz
Se a estas queixas se juntar falta de ar súbita, dor no peito ao respirar fundo ou tosse com sangue, ligue de imediato para o 112. Pode corresponder a um coágulo que migrou para o pulmão, uma embolia pulmonar, que é uma emergência médica.
A maioria das doenças circulatórias avança devagar e em silêncio. É possível sentir-se perfeitamente bem enquanto as paredes das veias enfraquecem ou as artérias estreitam.
Porque é que detetar cedo muda tudo
Nas fases iniciais, uma alteração circulatória trata-se com medidas simples: vigilância, meias de compressão, correção de fatores de risco, por vezes um procedimento pequeno. Nas fases avançadas, as opções são mais limitadas, mais invasivas e com recuperação mais longa.
A doença arterial periférica raramente existe sozinha: as mesmas alterações que estreitam as artérias das pernas costumam estar presentes nas artérias do coração e do cérebro.
Detetar DAP nas pernas é, muitas vezes, a primeira oportunidade de agir sobre um risco cardiovascular mais amplo.
O que acontece numa consulta de cirurgia vascular
É uma consulta simples, sem preparação especial e sem necessidade de estar em jejum. Na prática, tem três partes.
A conversa
Quando começaram as queixas, o que as agrava e o que as alivia, antecedentes pessoais e familiares, medicação, gravidezes anteriores, tipo de trabalho. Esta parte orienta tudo o resto.
O exame
Observação das pernas de pé e deitado, palpação dos pulsos nos pés e avaliação da pele. Pode incluir a medição do índice tornozelo-braço, que compara a tensão arterial no tornozelo com a do braço. É rápido, indolor e dá uma boa indicação sobre a circulação arterial.
A ecografia com Doppler, quando indicada
É o exame de referência em vascular: mostra o sentido e a velocidade do fluxo sanguíneo, identifica refluxo nas veias, deteta obstruções e confirma ou exclui trombose. Não usa radiação e não é doloroso.
Define-se um plano, que pode ser apenas vigilância e medidas conservadoras. Consultar um cirurgião vascular não significa que vai ser operado. Significa saber em que ponto está.
Quem deve ter uma vigilância mais atenta
Algumas situações aumentam o risco e justificam avaliação mesmo sem sintomas marcados:
- ✓Diabetes, pelo risco combinado de doença arterial e de lesões nos pés
- ✓Tabagismo, o fator de risco mais determinante na doença arterial periférica
- ✓Hipertensão e colesterol elevado
- ✓Antecedentes familiares de varizes, trombose ou doença arterial
- ✓Profissões com muitas horas de pé ou sentado sem pausas
- ✓Gravidez e pós-parto, pelo efeito hormonal e pela pressão sobre as veias pélvicas
- ✓Excesso de peso e sedentarismo
- ✓Trombose anterior, pessoal ou familiar
Ande. Caminhar ativa a bomba muscular da barriga da perna, que empurra o sangue venoso para cima. Na doença arterial, caminhar de forma regular melhora comprovadamente a distância percorrida sem dor.
Interrompa o tempo parado. Se trabalha de pé ou sentado, mexa os pés e levante-se de poucas em poucas horas. Em viagens longas, hidrate-se e caminhe pelo corredor.
Eleve as pernas ao fim do dia, acima do nível do coração, durante 15 a 20 minutos.
Use a compressão que lhe for indicada. As meias de compressão têm classes diferentes e não devem ser escolhidas ao balcão sem avaliação prévia, sobretudo se houver suspeita de doença arterial.
Deixe de fumar. É a medida isolada com maior impacto na saúde arterial.
Cuide dos pés. Inspecione-os regularmente, hidrate a pele e trate qualquer ferida precocemente, sobretudo se tem diabetes.
Nenhuma destas medidas substitui a avaliação médica, mas todas fazem diferença real.
Dúvidas comuns sobre circulação e consulta vascular
Varizes são só um problema estético?
Nem sempre. Muitas varizes são de facto apenas visíveis e não dão sintomas. Outras acompanham insuficiência venosa com peso, inchaço, alterações da pele no tornozelo e, em fases avançadas, úlceras. A avaliação com Doppler é o que distingue os dois cenários.
Preciso de encaminhamento médico para uma consulta vascular?
Não. Pode marcar diretamente uma consulta de cirurgia vascular. Se tiver relatórios ou exames anteriores, leve-os consigo.
Com que frequência devo fazer avaliação?
Não existe um intervalo único para toda a gente. Sem sintomas e sem fatores de risco, não há indicação para rastreio sistemático. Com fatores de risco ou queixas, o intervalo é definido caso a caso pelo especialista.
A ecografia com Doppler dói ou tem radiação?
Não tem radiação e não dói. Faz-se com uma sonda sobre a pele, com gel, e demora habitualmente entre 20 e 40 minutos consoante o território avaliado.
O papel do cirurgião vascular começa antes da cirurgia
Pernas pesadas e inchadas ao fim do dia são frequentes e quase sempre de causa venosa. Dor ao caminhar que passa em repouso aponta para o lado arterial e merece avaliação sem demora. Inchaço súbito de uma só perna é para ver no próprio dia.
O papel do cirurgião vascular começa muito antes da cirurgia: identificar o problema cedo, quantificá-lo com os exames certos e decidir, com o doente, o que fazer, que em muitos casos não é operar.
Consulta de cirurgia vascular em Lisboa
Se se reconheceu em algum destes sinais, marque uma avaliação na Aeger Prima, junto à Avenida da Liberdade. Saiba mais sobre a consulta de cirurgia vascular.
Texto informativo. Não substitui avaliação médica individual. Perante sintomas de início súbito, procure o serviço de urgência.