Skip to main content Scroll Top

Provas de contacto: descobrir o que está por trás de um eczema que não passa

AegerPrima Eczema

Um eczema das mãos que dura há meses. Pálpebras inchadas e descamativas que melhoram durante as férias e regressam na semana seguinte. Uma erupção no abdómen exatamente onde assenta a fivela do cinto. Estes quadros têm em comum a possibilidade de existir um agente externo a provocá-los e, sobretudo, a possibilidade de esse agente ser identificado.

As provas de contacto, também designadas testes epicutâneos, são o exame que permite essa identificação. Aplicam-se substâncias padronizadas internacionalmente sob oclusão na pele das costas e observa-se, ao longo de vários dias, se alguma delas desencadeia reação.

O mecanismo

O que se está a testar

A dermatite alérgica de contacto resulta de uma reação imunológica tardia. O sistema imunitário reconhece uma substância com a qual a pele contactou e reage, mas a reação demora um a três dias a manifestar-se.

Este atraso explica por que razão as pessoas raramente identificam o agente responsável por si próprias: a relação entre a exposição e o aparecimento das lesões não é imediata nem óbvia.

A sensibilização, uma vez estabelecida, mantém-se para toda a vida, e cada novo contacto volta a desencadear a reação. Não existe forma de a anular. Existe, sim, forma de evitar o alergénio, o que é frequentemente suficiente para resolver o problema em definitivo.

Não confundir com os testes de picada

Os testes de picada (prick tests) e o doseamento de IgE no sangue avaliam alergias imediatas, típicas dos pólenes, ácaros, pelos de animais ou alimentos. São reações que ocorrem em minutos.

As provas de contacto avaliam um mecanismo distinto e são o único exame validado para o diagnóstico de dermatite alérgica de contacto. Nenhuma análise ao sangue as substitui, e um teste de picada normal não exclui uma alergia de contacto.

Indicações

Quando estão indicadas

  • Eczema crónico ou recorrente, sobretudo das mãos, face, pálpebras ou pés
  • Suspeita de reação a cosméticos, produtos de higiene, perfumes, tintas de cabelo ou vernizes
  • Dermatite associada a metais, como botões, fivelas, bijutaria ou dispositivos
  • Agravamento do eczema com a aplicação de medicamentos tópicos, situação em que o próprio tratamento pode ser a causa
  • Dermatite atópica que deixou de responder como habitualmente
  • Eczema em redor de úlceras crónicas da perna
  • Estudo antes de cirurgia para colocação de próteses — dentárias, ortopédicas ou válvulas cardíacas mecânicas — em pessoas com história de alergia relevante, para escolher o implante mais adequado
  • Estudo após colocação de prótese, quando existem queixas que levantem a suspeita de alergia ao implante
  • Estudo de problemas de pele relacionados com o trabalho, com importância médico-legal por poder identificar doenças ocupacionais
  • Reações adversas a medicamentos com expressão na pele (toxidermias)
O exame

Como decorre

O processo distribui-se por três visitas ao longo de aproximadamente uma semana e não é doloroso.

01

Aplicação

Aplicam-se as substâncias a testar em pequenas câmaras fixadas com adesivo na região dorsal. Cada câmara contém um alergénio numa concentração padronizada, escolhida por ser suficiente para revelar sensibilização sem irritar pele normal. O conjunto permanece no local durante 48 horas.

02

Primeira leitura, às 48 horas

Removem-se as câmaras e faz-se a primeira leitura das reações.

03

Leitura definitiva, dois a quatro dias depois

Esta última leitura é indispensável, porque uma parte relevante das reações só se torna visível nesta fase. Algumas substâncias, como os corticosteroides tópicos ou a maioria dos metais, exigem leitura ainda mais tardia, ao sétimo dia.

As substâncias

O que se testa

O ponto de partida é a série básica europeia, um conjunto de múltiplas substâncias responsáveis pela maioria das dermatites alérgicas de contacto na Europa, entre as quais níquel, crómio, cobalto, conservantes, fragrâncias, componentes da borracha e resinas.

A este conjunto acrescentam-se séries dirigidas, escolhidas em função da história clínica: cosméticos, produtos de cabeleireiro, plásticos e colas, corantes têxteis, materiais dentários ou medicamentos tópicos.

Leve os seus produtos

Sempre que possível testam-se também os produtos que a pessoa usa, trazidos de casa, o que aumenta consideravelmente a probabilidade de encontrar o agente responsável.

Vale a pena levar à consulta os cosméticos e produtos de higiene e, no caso de suspeita ocupacional, a lista ou as fichas de segurança dos materiais manuseados no trabalho.

Antes do exame

Como preparar

  • Pele das costas livre de eczema na área a testar
  • Sem corticoides tópicos aplicados nas costas nas duas semanas anteriores
  • Sem corticoides sistémicos em dose relevante nem imunossupressores
  • Sem exposição solar ou a UV nas costas nas quatro semanas anteriores
  • Costas depiladas alguns dias antes, se necessário, para permitir a fixação dos adesivos
  • Durante os dias com os testes aplicados: não molhar as costas, não tomar duche completo, evitar esforço físico intenso e sudação, e evitar movimentos que descolem os adesivos

Convém escolher uma semana sem piscina, praia, ginásio ou viagens, e sem compromissos que impeçam o regresso à clínica nas datas marcadas. A leitura final não pode ser antecipada nem adiada sem comprometer o resultado.

Sobre a medicação

Informe sempre o médico da medicação que faz.

Nenhuma suspensão deve ser decidida por iniciativa própria.

Interpretação

Um resultado positivo ainda não é um diagnóstico

É aqui que se distingue um exame bem feito por um especialista de uma simples lista de reações. Uma reação positiva demonstra sensibilização a uma substância, mas não prova que seja essa substância a causar o problema atual.

Cabe ao dermatologista estabelecer a relevância clínica de cada positividade, confrontando-a com a história de exposições, a localização das lesões e a sua evolução ao longo do tempo.

É igualmente necessário distinguir reações alérgicas de reações irritativas, que têm morfologia e cronologia próprias e um significado diferente. E é preciso saber interpretar os negativos: um resultado inteiramente negativo não encerra o assunto e pode justificar testar séries adicionais ou os produtos do próprio doente.

Quem realiza o exame conta

Os resultados dependem do conhecimento e experiência do médico: há que saber escolher as séries a testar, uma vez que só assim se poderá encontrar o alergénio culpado, e há que saber interpretar as positividades e as negatividades no contexto do doente.

A realização das provas por um dermatologista com diferenciação em alergologia cutânea pode otimizar os resultados obtidos.

Resultados

O que muda depois

O resultado útil das provas de contacto é uma lista concreta de substâncias a evitar, acompanhada da informação prática necessária para o conseguir: os nomes com que cada alergénio aparece nos rótulos, muitas vezes vários e pouco intuitivos, os tipos de produto que os contêm e as alternativas disponíveis.

Em muitos casos a evolução é notável. Um eczema tratado durante anos com cremes, com melhorias sempre temporárias, resolve-se quando se remove a causa.

Nas situações de origem profissional, a identificação do alergénio permite ainda fundamentar adaptações do posto de trabalho ou o reconhecimento de doença profissional.

Riscos

Riscos do exame

São poucos e menores. Pode surgir comichão na zona testada, uma reação positiva que persiste alguns dias após a leitura ou hiperpigmentação transitória.

É possível, em situações raras de positividades muito fortes, que se forme ferida no local de aplicação, que pode ocasionalmente deixar cicatriz. Raramente, o teste pode ele próprio induzir sensibilização a uma substância. O agravamento temporário do eczema existente é possível, mas incomum.

Marcar consulta

As provas de contacto são realizadas por dermatologista e implicam três visitas em dias definidos, ao longo de aproximadamente uma semana.

Rua Mãe de Água 15 B, 1250-154 Lisboa · Segunda a sexta, 9h00 — 19h00

Texto informativo. Não substitui avaliação médica individual.